A SORTE VOLTA A ACOMPANHAR A JF. PIRATAS DÁ SUFOCO NO REAL



Começar a resenha de hoje em homenagem a cada um de vocês, colegas, amigos, partícipes ou assistentes fiéis do Campeonato de Mini-futebol da ASTRA 21 e que são PAIS. Meu abraço a cada um em forma de música. Entre tantas canções feitas de pais para filhos, brindo vocês com Espatódea, de Nando Reis, uma das mais belas criações em letra e melodia, feita para a sua filha Zoé. Eles, os filhos, são a nossa razão de viver. E por eles somos o que somos. Curtam o link. http://youtu.be/yhxD6jSsVrM

(...)

O sábado chegou chuvoso na capital espacial do Brasil. A primeira partida da rodada começou sob chorosa garoa, chuvinha fina com vento frio a dar aquela sensação de preguiça. Difícil pensar que o tempo virasse. Mas virou, assim como certa virada a ser contada pelos colegas Federais até o fim dos séculos.

Primeira partida: Aparelho Digestivo versus Justiça Federal/Tribunal de Justiça/Corpo de Bombeiros/Tribunal Regional Eleitoral. O clássico dos desfigurados. Se o Meia Boca foi criticado por renegar seus atletas associados a ASTRA 21, não se pode fazer silêncio em relação a Justiça Federal ao lançar mão de um de seus membros mais legítimos e participativos para dar vez a um outro jogador, ainda que seja vinculado a Justiça do Rio Grande do Norte. Mas esta é a selva e na selva o que vale é a lei da sobrevivência.

Vamos ao jogo.

Antes, uma história a relembrar e que se aplica ao que vimos no jogo de hoje. Em 1986, a seleção brasileira viajou ao México para disputar mais uma Copa do Mundo, desta feita apenas com um bom time à sombra do que foi o inesquecível escrete de 1982. Restavam alguns remanescentes, mas, definitivamente, não se podia comparar. Zico voltava de contusão séria, Sócrates e Falcão já não estavam na mesma forma. Telê, que havia se refugiado na Arábia Saudita após 1982, foi chamado às pressas para reerguer o futebol brasileiro em uma nova Copa ao povo recém ingresso na chamada Nova República. Telê convocou os “cometas Halley” Elzo e Edivaldo, ambos do Atlético/MG. Medianos, nunca a ponto de integrar uma seleção nacional. Cortou Renato Gaúcho, em grande fase, após este ter chegado bêbado a concentração em BH. Leandro solidarizou-se com o amigo de farra e desistiu, no aeroporto, de ir ao México. Para o seu lugar foi chamado um certo Josimar, lateral do Botafogo/RJ, talvez, um predestinado. O titular da lateral direita passou a ser Edson (Corinthians). Machucou-se na estreia e coube ao último integrante do grupo assumir o lado destro do time. O resto da história todos vocês sabem.

O que isso tem a ver com o Meia Boca x JF? Resposta no final.

A primeira etapa inteira foi fria, assim como estava a manhã. Emoção só no último minuto quando a JF esteve perto de marcar duas vezes com Marcelo e Denilson. O MB se ressentia de quase todo o seu time titular que não foi jogar.  Scala, Péricles, Rubinho, Marcelo e Dirceu estavam faltosos. Christian jogava atrás e não servia de garçon para Bruno e Pedro isolados no ataque. Nem com tanta falta assim Gibeon conseguiu jogar de saída. Aliás, não bastasse a distribuição de copos de água nos intervalos, ofício que ele (Gibeon) melhor faz em campo, nos surpreendeu com atitude bastante nobre. Tendo observado que as bolas do jogo estavam demasiadas gastas, chegou ele com duas bolas dentro do saco e doou-as para a ASTRA 21. Bem, “cavalo dado não se olha os dentes”, já dizia a minha avó. Aceitei e agradeci, de plano. Quem jogou e pôde chutar as bolas de Gibeon, as reprovaram. O depoimento uníssono era que as bolas de Gibeon eram pequenas, escorregadias e maneiras.

George Gentille, eterno e inesquecível goleiro da JF (assim como Raul é do Cruzeiro e Messi é do Palmeira de Goianinha), era o mais revoltado. Reclamava ele em alto e bom som:

- Eu não consigo agarrar as bolas de Gibeon. São leves, menores que as normais.

O que George quis dizer com isso? As bolas sempre tem um tamanho comum? Quando e por que ficam maiores e mais cheias? O que faz secar as bolas? Deixá-las no saco sem usar é prejudicial, por isso deve haver uma razão para esvaziá-las? Ou é melhor manipulá-las para que cresçam, ou melhor, inchem?  

Dúvidas ligar para a dupla GêGê: George: 9928 0743 ou Gibeon: 8896 1779.  

Na volta do segundo tempo, nosso amigo George, ainda revoltado com as bolas de Gibeon, negou-se a continuar em jogo. Deu o lugar a Biúla. Esse foi mais discreto. Se gostou das bolas de Gibeon ficou guardado só para ele (e para o próprio Gibeon). Se não gostou, não se manifestou.

O segundo tempo foi da JF com pressão desde o primeiro minuto. Seja de jogo corrido, contraataques ou bola parada a JF sempre chegava com perigo. Patrício lá atrás salvava o seu time como podia, muitas vezes corajosamente nos pés dos atacantes adversários. Marcelo cobrou falta de curva, tirando da barreira e o goleiro do MB foi lá com a pontinha dos dedos. Depois, Denilson arriscou forte chute rasteiro e mais uma vez Patrício fez o impossível. Em raro ataque perigoso, O MB chegou com Bruno que tirou de Biúla, mas chutou com o pé direito para fora. Tivesse optado pela canhota talvez tivesse sucesso.

Começo de 4º quarto e a mesa comentou que era nesses quinze minutos que os jogos se decidiam. Até aí Gibeon continuava no seu pleno ofício distribuindo água aos companheiros ao fim de cada 15 minutos. Nada de entrar, de suar a camisa. Então, o inesperado. Pedro recebe na esquerda, puxa o contraataque e vê Bruno surgindo na área. Manda o cruzamento rasteiro e Laércio intercepta por reflexo, mas a bola sobra na frente da área para a chegada de Christian que manda a bomba no ângulo superior esquerdo de Biúla. Euforia em todo o aparelho digestivo, quer dizer, Meia Boca. Da boca ao intestino.

A JF acredita no empate, considerando seu alto poder de ataque. Senão bastasse o bombeiro Denilson agora tem o Eleitoral Bago. E o empate saiu. Enquanto o aparelho digestivo dava “nó nas tripas” e se fechava todo, a JF tocava a bola pacientemente em busca do melhor momento de tentar o gol. Em uma dessas oportunidades, a bola chegou a Cipriano que, inteligentemente, deixou a bola de Gibeon passar entre as suas pernas e tocou de calcanhar encontrando Tutu na área adversária. Tutu, faro de gol, teve a tranquilidade de achar Bago livre que só empurrou para a meta de Patrício.

O empate talvez fosse o resultado justo e melhor para o campeonato. A própria JF, com maior volume de jogo, aceitava o empate e já não dava amostras que tentaria algo mais. O tempo do jogo seguia mansamente para o seu fim. Então surge o “Josimar” da Justiça Federal.

Fernando Gomes Cortez não começou o campeonato relacionado pela JF. Somente na 2ª rodada do 1º turno ele passou a compor o time. Chegou depois, como Josimar. Joga pelos lados do campo, como Josimar. Recebeu uma bola “quadrada” na linha lateral direita, a meia altura, atacando para a piscina. Tentou dominá-la, ela escapuliu. A bola, no ar, ia sair pela lateral. Ele percebeu a chegada do marcador e fez habilidosa puxeta proporcionando um “banho de cuia” em Bruno, e antes que a bola caísse no gramado, Fernando emendou de três dedos. A bola fez uma parábola no ar e, para o espanto de todos os presentes, foi morrer no canto direito do gol do MB. Um gol, como o de Josimar na Copa de 1986 contra o lendário norte irlandês Pat Jennings. Um gol para ficar na história do Campeonato da ASTRA 21.

Curtam o link e o gol de Josimar em 1986. http://youtu.be/C48zk9myCnY

Depois de todas as emoções na partida inaugural, um jogo de dar sono até os 29 minutos do segundo tempo.

(tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tici-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac)

Não. Não é o estilo de jogo do Barcelona ou da Seleção Espanhola. Era o som dos relógios tentando fazer o tempo passar durante a enfadonha partida entre Real Natal x Piratas.

De interessante mesmo somente o visual ecológico-moicano do novo goleiro do Piratas. Nunca, jamais e em tempo algum uma figura tão esquisita pôs os pés no gramado da ASTRA 21. Tentem construir a imagem comigo: Lembram-se do louva-a-deus? Aquele inseto esquisito e azarado que, tal qual o zangão, a fêmea mata o macho após a cópula? Pois o cidadão era mais ou menos o mesmo figurino. Pernas imensamente finas e arqueadas. Tórax e abdomem em confusão, pois não se sabia onde terminava um e começava o outro. Cabeça triangular com o agravante de conter cabelos ao estilo moicano. Uma pintura abstrata. Digna de estar no Louvre. Louva-a-deus ou valha-me Deus????

Mas num é que o “valha-me Deus” pegava as bolas de Gibeon. Bom goleiro que salvou os Piratas nos poucos lances de perigo que o Real Natal proporcionou. No primeiro tempo uma única bola com Marcelo Patinha, que sozinho na área chutou em cima do inseto-goleiro e na sobra isolou por cima do gol.

(tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tici-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac)

O tempo passava lentamente até terminar o primeiro tempo com um OxO inacreditável. Proeza dos Piratas.

Volta do 2º tempo e o ritmo não melhorou. Mas os Piratas sentiram que poderiam fazer uma graça e começaram a gostar do jogo. Virgílio, Zé do Carmo, Elivandro, Sérgio “Bolha”, Odilon, Luiz, Zé Maria, Ilden e Fábio Mastrocola acreditaram que a vitória poderia acontecer e passaram a fazer marcação pressão na saída de bola do Real. Hilário!

Do lado de fora, o capitão-xerife Max se esgoelava pedindo disposição e atenção ao Real Natal, mas não se conseguia trocar três passes seguidos.

(tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tici-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac-tic-tac)

Marcelo perdeu mais um gol numa jogada idêntica ao primeiro tempo. Os poucos chutes a gol dados pelo Real paravam facilmente nas mãos do goleiro-inseto que, certamente em face da mesma natureza (zangão), passou a fazer cera.

No último quarto o relógio, finalmente, passou a andar no ritmo normal. Bolha teve duas oportunidades claras de gol, mas não estava totalmente concentrado no jogo, pois passou todo o tempo dando atenção a fiel torcida dos Piratas comandada por Floriano e que estava atrás do gol da piscina dando força à equipe. Fábio Mastrocola acertou o travessão após bela jogada individual. Quem estava na sede da ASTRA 21 torcia pelos bravos Piratas. Era indisfarçável. O primeiro ponto do ano iria finalmente sair.

Eis que futebol só acaba quando termina, já dizia o filósofo Neném Prancha. Luiz e Bolha que puxavam os contraataques, saíram para as entradas de Zé do Carmo e Elivandro. O time recuou. Numa bola despretensiosa e desesperada lançada na área, Cuca apareceu de cabeça no último minuto e fez o gol salvador.

Tristeza geral em toda a sede da ASTRA 21. Os Piratas ficaram inconsoláveis. Lágrimas, amargas como o suor de seus rostos, teimavam em escapulir de seus olhos que, marejados, não acreditavam naquele epílogo. A torcida dos Piratas começou a deixar o local. Um fim tão inacreditável como se fez na partida inaugural.

Uma rodada de grandes emoções. É assim que se constrói o campeonato de mini-futebol da ASTRA 21.          



Clique aqui para voltar.