MEIA BOCA GULOSO. JURIS NA Z-4.



A resenha volta após duas semanas de mais completo abandono a sua “meia dúzia de três ou quatro” fiéis leitores.

Nos dois fins de semana anteriores, este que faz às vezes de um narrador do que acontece em nossa sede social durante as animadas e disputadas partidas do campeonato de mini-futebol, esteve ausente, daí não ter a ciência do que efetivamente ocorreu em cada uma das partidas. E escrever “por ouvir dizer”, como diria Xangai na canção ABC do Preguiçoso, “é um pouco arriscoso”, pois o interlocutor só conta o que lhe interessa e não há contrapontos.

De todo modo, agradeço a cada um dos amigos e colegas que insistem para que a resenha seja feita ao fim da rodada. É a certeza de que a resenha já faz parte do universo do nosso campeonato, cujo propósito e finalidade é ampliar essa amizade entre as pessoas através do esporte.

Enfim, vamos a ela.

Aproveitando a visita do Santo Papa Francisco ao Brasil, ocasião em que sua presença, postura e atitude conquistou os simpatizantes de todas as religiões independente do povo católico, começarei minha escrita hoje recorrendo ao Livro dos Eclesiastes:

 

Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu;

tempo de nascer e tempo de morrer, tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;

tempo de matar e tempo de curar, tempo de derrubar e tempo de construir;

tempo de chorar e tempo de rir, tempo de prantear e tempo de dançar;

tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las, tempo de abraçar e tempo de se conter;

tempo de procurar e tempo de desistir, tempo de guardar e tempo de jogar fora;

tempo de rasgar e tempo de costurar, tempo de calar e tempo de falar;

tempo de amar e tempo de odiar, tempo de lutar e tempo de viver em paz” (Capítulo 3, Vers. 1-8).

 

O Campeonato de Mini-futebol da ASTRA 21 está em sua 14ª edição. Estamos à frente há 12 (doze) anos. Por dever de justiça e gratidão, deve ser dito que no início a responsabilidade era dividida com Gilson, Gustavo “Nêgo”, Erivaldo e Adalberto, operosos colegas que contribuíram, em muito, para a consolidação do evento. Passado o tempo, por vontade própria ou alheia, restou a mim e a Gilson a assumir o encargo, que tentamos dar sequência de forma que a nossa brincadeira fosse séria e reconhecida e que aqueles que se dispõem a participar venham sabendo que não existe benesses ou apadrinhados, mesmo que os dois organizadores participem ativamente do campeonato.

Ao longo do tempo o campeonato perdeu um pouco a sua identidade, pois, se é patrocinado pela ASTRA 21, inegavelmente é feito, prioritariamente, para o servidor da Justiça do Trabalho associado à entidade. Um certo desinteresse dos associados autorizou que buscássemos parceiros entre os órgãos co-irmãos ligados a Justiça do Rio Grande do Norte.

Assim chegaram o TRE, o TJ/RN, a Justiça Federal e a AMARN, sem falar na OAB/RN, presente desde a primeira edição – ainda atuando como ANAT – e que tem sido fidelíssima e verdadeira companheira nesses quase 15 anos.   

Com o último concurso público chegamos a pensar que era chegada a hora de oxigenar os times, uma vez que mais de 200 (duzentos) novos colegas foram convocados. Ledo engano. A quantidade de neófitos que compõem os times participantes mal ocupa os dedos de uma mão. Os “velhinhos” continuam a sustentar essa cachaça boa que é a arte de calçar a chuteira a cada fim de semana.

Mas, como no ensinamento do Eclesiastes, tudo tem seu tempo. Trabalhamos com gente. E a cabeça das pessoas nem sempre entende que o que é bom para o coletivo também é bom para si. Encontrar a cada ano formas de emular o campeonato tem sido um exercício hercúleo. Mudamos demais no ano passado e deu no que deu. A violência no gramado cresceu e as discussões extravasaram as quatro linhas, trazendo críticas e questionamentos à diretoria da ASTRA 21 pelos demais colegas que freqüentam o clube para o lazer com as famílias.

Mudamos outra vez este ano. Envelhecemos os times para que o futebol jogado voltasse a ser cadenciado, compatível com a idade dos participantes. Problemas dos mais diversos são trazidos para que possamos resolver. Alguns banais, banalíssimos até. Outros complicados e que requer habilidade e parcimônia na hora de decidir. Isso, de certa forma, deve ser visto com alegria, pois é prova de que o evento tem seu valor e se participa com prazer e com o desejo, ao fim de cada ano, de levantar a taça.

E esse tempo passou. Como no poema de Quintana, “... quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira! Quando se vê já é Natal! Quando se vê, já terminou o ano ...”.  Quem está à frente está mais exposto. É pára-choque. Recebe as porradas. Absorve os problemas para não gerar desconforto e mal estar em todos, afinal, sua conduta é de líder, embora nunca, jamais e em tempo algum, fiz transparecer posição de destaque. Ao invés, muitas vezes chamei os representantes dos times para decidir ações que fossem do interesse de todos.

Mas quando o prazer se torna fardo está na hora de se repensar o que se faz. Afinal, pequenas mudanças na sua vida podem ser benéficas e ajudar até mesmo um coração que esteja cansado, embora se orgulhe e tenha prazer no que realizou e saiba que uma pontinha de saudade vai ficar.

Que a 15ª edição do evento tenha sangue novo na sua condução.   

(...)

Meia Boca e Tribunal de Justiça entraram em campo no sábado passado abrindo a terceira rodada do segundo turno. Os dois juntinhos na tábua de classificação com um ponto a separá-los. O TJ promovendo a estréia do armador Jajá, que no primeiro turno jogou pelo JURIS e sucumbiu ao canto da sereia entoado por Marcão, Álcio e Assis ao lhe oferecer meia galinha torrada e um prato cuscuz por partida. A resenha soube, por fonte fidedigna, que consta do contrato que o fubá deve ser da marca São Braz, exigência do procurador de Jajá. Já o Meia Boca chegou no segundo turno com a vontade de engolir todo mundo e a cada jogo tem mostrado seus 32 dentes, bem como a língua tem sido afiada na hora da discussão.

Em campo o TJ não foi páreo ante a enorme diferença técnica e de idade entre as equipes. Não bastasse isso, o TJ parecia jogar travado, com Luciano isolado lá na frente, chegando a fazer bem o trabalho de pivô, mas não aparecia ninguém para jogar com ele. O “matador” Maurício foi figura apagada no jogo. Enfim, o time estava longe de ser aquele ao menos disposto que nos acostumamos a ver. A permanecer assim já já Jajá volta para onde saiu.

O Meia Boca fez três gols facilmente com sendo dois de Scala e um de Péricles. De chamar a atenção que, embora seja um time do TRT quase não se vê associados no campo defendendo a equipe. Os verdadeiros associados fazem coro do lado de fora, gastando mais energia torcendo pelos companheiros, limitando-se a participações mínimas, enquanto em campo estão os agregados que foram acolhidos na equipe.

Embora tal opinião tenha sido rebatida no jogo passado, até de forma veemente por integrantes do Meia Boca, aqui não estou tecendo críticas. É apenas uma constatação, que não deixa de ser curioso.

Acho, apenas, embora não conste em nenhuma cláusula do regulamento – portanto não é uma obrigação -, que os integrantes ligados a ASTRA 21 devem participar mais de cada jogo, inobstante, repito, entrar ou não em campo seja faculdade de cada um.

Isto é somente a minha opinião, sujeita a contraponto, com este escriba totalmente aberto ao diálogo. No momento em que a razão for ultrapassada e que os interesses de cada um possam arranhar estreitos laços de amizade construídas ao longo do tempo, não haverá sentido tal discussão.

O jogo seguinte estampou a má fase a que vive o JURIS. De finalista do primeiro turno a vice-lanterna no segundo. E parece que o doloroso placar da final do primeiro turno ainda ecoa nos tímpanos de cada um dos seus jogadores.

É aquele fase que o urubu de cima suja o de baixo. Que nada dá certo. Que você corre atrás do prejuízo e não tem jeito de alcançá-lo. E o JURIS só será novamente o JURIS quando todos estiverem presentes a cada jogo, unidos, pois até mesmo a questão idade influencia na partida.

Contra a Justiça Federal previa-se um jogo, no mínimo, igual. A JF pronta e completa. Ou quase completa. Gilberleide estava de fora, machucado. Mas tem uns traíras que disseram que sem ele o time tem mais velocidade. Já o manager João Maria cuida de, a cada rodada, trazer uma nova lista de jogadores. A secretaria da ASTRA tenta antecipar o trabalho, imprimindo as súmulas com antecedência, mas é perdido porque, em cima da hora, chega aquele email insistente da JF com a sua nova relação de atletas sempre com uma novidade.

Até que na faixa etária os times são equivalentes. Mas o banco faz a diferença. O JURIS somente tem força quando todo o seu elenco está presente e isso não tem acontecido nos últimos jogos e este detalhe fez a diferença no empate para o Real e agora na derrota para a JF. No primeiro turno foi quase igual. O JURIS tava só a conta e houve um certo relaxamento da JF. Foi um jogo com o JURIS sempre atrás do placar, mas a vitória só veio no minuto final no peito e na raça. Só que dessa vez a sorte virou.

Jogo difícil com chances para os dois times. A JF concentrou as jogadas de ataque com Denílson caindo pelos lados, sempre com perigo. Muitas vezes a única forma de pará-lo era com faltas. O JURIS chegou ao gol adversário em várias oportunidades, mas debaixo das traves a JF tinha o retorno de George Gentille após tenebroso inverno. George, tantas vezes citado neste mesmo espaço em razão de sua fatiota a cada jogo e que lhe valeram apelidos penosos como concriz, canário belga, pavão misterioso, ararinha azul, periquito australiano ou krakatoa de Bornéu, ressurgiu, tal Fênix, das cinzas, só não se pode garantir que é para encantar o futebol praticado na ASTRA 21. Vê-se que vai e volta e George continua envolto em plumas.

Voltando ao que interessa, o goleiro do JF foi um dos nomes do jogo. Nas tantas vezes que o ataque do JURIS chegou ao gol adversário estava lá George para fazer seus milagres e não foi só uma vez. Do outro lado não se pode dizer a mesma coisa. Um chute fraco, mas colocado, de Denílson lá da intermediária venceu o bom goleiro Vinícius.

O gol desestabilizou o JURIS. Henrique foi expulso ao impedir um contraataque. Se com 08 as pernas já estavam pesando, avalie com 07 em campo. As jogadas passaram a ser disputadas com mais pegada e o número de faltas aumentou no jogo. Charles Elliont teve trabalho e precisou parar o jogo em mais de uma oportunidade para acalmar os ânimos de um ou de outro que chegava no limite.

Uma última falta e foi a pá de cal que restava ao vice-campeão do primeiro turno. Sendo a sexta falta, a JF bateu tiro direto e construiu o placar final.

Fim de partida e o JURIS sequer tinha coragem de levantar a cabeça. O abatimento chegou. De bom mesmo só o abraço entre os dois times, deixando para trás a efervescência acontecida no jogo e a certeza de que a amizade e o respeito existem entre eles.                      

 



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