A ARTE DE ESCREVER E A ANSIEDADE PELA RESENHA

Dizia Neruda que "Escrever é muito fácil. Começa com um parágrafo e termina com um ponto". Escrever, antes de ser uma arte, é um prazer. Escrever é ser um garimpeiro de lembranças. É cultuar recordações. É reproduzir imagens mentais.



Dizia Neruda que "Escrever é muito fácil. Começa com um parágrafo e termina com um ponto"

Escrever, antes de ser uma arte, é um prazer. Escrever é ser um garimpeiro de lembranças. É cultuar recordações. É reproduzir imagens mentais. 

A idéia de escrever o que acontecia a cada rodada do nosso campeonato começou lá atrás. Nem lembro o ano. Foi uma forma encontrada de destacar, de forma inicialmente cômica e alegre, os fatos que ocorriam a cada sábado no nosso espaço sagrado da bola. Os lances - vistos em relances -, as jogadas mágicas, o chute agudo, a defesa em câmera lenta, o suor que pinga no rosto do atleta, a explosão de alegria no gol suado, o desespero no gol sofrido, o não acreditar no gol perdido, o riso e os momentos que só quem assiste com atenção pode captar o que vem da torcida.

Nesses tantos anos de "pena na mão", compartilhada em alguns momentos com um ou outro colega com talento igual para as letras e as pernas, quantas vezes derramamos sobre a tela ou a folha branca letras que sobreviveram à ternura do que vimos no nosso tapete verde.   

Imagens que a síntese materializou para sempre.

Não se iludam boleiros. A responsabilidade é tamanha para quem criou essa mania. Como se fosse um complemento de cada rodada, a resenha passou a fazer parte do início da semana de boleiros ativos e aposentados. A ânsia faz com que do domingo para a segunda-feira a noite seja insone no aguardo do que será escrito.

E essa angústia é maior para quem é o pai da matéria, o pai da criança, o escriba. Acreditem! São tantas as temeridades para quem escreve. Escrever com simplicidade e clareza para que a leitura se torne limpa, suave, conferindo-lhe beleza e, quiçá, poesia, no lance que se tenta descrever.  

A pitada de ironia no lance bisonho deve ser medida com destreza para que o personagem não a receba como fel, amargando as relações de amizade, maior dos patrimônios que existe no mundo da bola.

E assim a coisa fluiu. Gostei do ofício de querer imitar um escritor e fui me tornando um escriba semanal de um futebol alegre e solto corrido nos campos de pelada. Viciei-me nessa vida besta. E, por tabela, captei poucos - porém sinceros - seguidores que para mim é uma legião. Amigos, feitos através dessa convivência esférica como o mundo, que me cobram, de forma sutil, pelo desfile de letras que harmonizam o que de bom - ou mal - ocorreu naquele espaço matinal de sábado sob o sol de Pium.

E se a resenha não vem na segunda a taquicardia aumenta, a pressão sobe, os pés ficam dormentes. Crises de ansiedade só são amortizadas com goles de destilados ou fermentados sorvidos a cada fim do dia ao se perceber que o cronista cruel deixou passar mais um pôr do sol sem fazer o seu ofício.

Enfim. Escrever, que para mim é uma forma de lazer e terapia, tornou-se soro, calmante, antidistônico, ansiolítico para uma meia dúzia de fiéis amigos que se tornaram leitores. O que dizer a esses leais seguidores senão, obrigado.

Rodrigo Levino, jovem jornalista e escritor potiguar, tem uma frase linda quando diz "compro feijão com parágrafos". Assim ele retrata o seu ofício, sua profissão, seu labor.

Não chego a tanto, até porque minha escrita é amadora. Apenas tento emular um lazer e a manter viva uma reunião de homens que, em tantas atividades durante a semana inteira ralam para poder comprar o seu feijão, satisfazer a si próprio ou a(s) família(s) e, no sábado, no descanso dos justos, se dirigem a ASTRA 21 para jogar sua bola e, quem sabe, tornar-se um parágrafo. 

 

Coluna do Kolluna FC

 

1) Meu pedido de desculpas pela paciência de quem esperou 11 (onze) dias para ler a resenha. Mas sempre é mais difícil falar sobre o que você não vê. Minha ausência na última rodada retardou os comentários;

2) Os caolhos verão o placar do jogo Piratas 3x11 Confiança somente como uma goleada a mais sofrida pelos bucaneiros. Abram o olho, rapazes! Pela primeira vez no ano e desde 30.08.2014, na vitória sobre o Victis Honos por 3x1, que os Piratas não faziam três gols numa partida;

3) Completada a quarta rodada sem empates nesse segundo turno. O último empate ocorreu exatamente na batalha campal que foi a decisão do primeiro turno, com um heróico 3x3 no tempo normal e a vitória do Confiança na prorrogação;

4) Nas últimas três rodadas tivemos jogos com atropelamento de gols: 15/08 Meia Boca 11x3 Santo Antonio; 22/08 SEA 10x1 Santo Antonio e 29/08 Confiança 11x3 Piratas. Sábado o Santo Antonio joga...;

5) O Real Natal, equipe tradicional mantida por Max e outros abnegados, sucumbe no segundo turno. A não assiduidade e a inconstância do elenco não deixam que a equipe engrene. Mas poderá fazer graça e tirar pontos preciosos de quem ainda luta pela classificação;

6) Extra! Extra! Extra! Gilberleide (Confiança) voltou a marcar depois de longo e tenebroso inverno. Tá na hora de Helinho, Denílson e Marcos/TJ colocarem as barbas de molho;

7) TJ x Bohemia é o primeiro jogo desse sábado. Uma vitória pode garantir a classificação ao vencedor e encaminhar uma ausência na semi ao perdedor. Jogo bom de se ver;



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